Evite a LER - Lesão por Esforço Repetitivo

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A LER representa uma síndrome de dor nos membros superiores, com queixa de
grande incapacidade funcional, causada primariamente pelo próprio uso
das extremidades superiores em tarefas que envolvem movimentos
repetitivos ou posturas forçadas. Também é conhecido por L.T.C. (Lesão
por Trauma Cumulativo) e por D.O.R.T. (Distúrbio Osteomuscular
Relacionado ao Trabalho), mas na realidade entre todos estes nomes
talvez o mais correto tecnicamente seria o de Síndrome da Dor Regional.

Contudo, como o nome L.E.R. se tornou comum e até popular, esta é a
denominação adotada no Brasil, apesar de bastante imprópria, pois
relaciona sempre tais manifestações com certas atividades no trabalho.
Portanto, LER não é uma doença, é um fenômeno
social/político/trabalhista.

O diagnóstico diferencial deve excluir as tendinites e tenossinovites secundárias a outras patologias, como reumatismo, esclerose sistêmica, gota, infecções gonocócicas, traumática, gravidez, osteoartrite, diabetes, mixedema, etc.
As lesões inflamatórias causadas por esforços repetitivos já eram
conhecidas desde a antiguidade sob outros nomes, como por exemplo, na
Idade Média, a “Doença dos Escribas”, que nada mais era do que uma
tenossinovite, praticamente desaparecendo com a invenção da imprensa.
Já em 1891, De Quervain descrevia o “Entorse das Lavadeiras”.


Classificação

As classificações mais usuais são feitas conforme a evolução e o
prognóstico, classificando a “DORT” baseando apenas em sinais e
sintomas.


Fases

Fase 1 - Apenas queixas maldefinidas e subjetivas, melhorando com repouso.
Fase 2 - Dor regredindo com repouso, apresentando poucos sinais objetivos.
Fase 3 - Exuberância de sinais objetivos, e não desaparecendo com repouso.

Fase 4
- Estado doloroso intenso com incapacidade funcional (não necessariamente permanente)

Estágios

Em 1984, a classificação de Browe, Nolan e Faithfull divide a LER em estágios:

Estágio 1 - Dor e cansaço nos membros superiores durante o
turno de trabalho, com melhora nos fins de semana, sem alterações no
exame físico e com desempenho normal.
Estágio 2 - Dores recorrentes, sensação de cansaço persistente e distúrbio do sono, com incapacidade para o trabalho repetitivo.

Estágio 3 - Sensação de dor, fadiga e fraqueza persistentes,
mesmo com repouso. Distúrbios do sono e presença de sinais objetivos ao
exame físico.

Graus

Dennet e Fry, em 1988, classificaram a doença, de acordo com a localização e fatores agravantes:

Grau 1 - Dor localizada em uma região, durante a realização
da atividade causadora da síndrome. Sensação de peso e desconforto no
membro afetado. Dor espontânea localizada nos membros superiores ou
cintura escapular, às vezes com pontadas que aparecem em caráter
ocasional durante a jornada de trabalho e não interferem na
produtividade. Não há uma irradiação nítida. Melhora com o repouso. É
em geral leve e fugaz, e os sinais clínicos estão ausentes. A dor pode
se manifestar durante o exame clínico, quando comprimida a massa
muscular envolvida. Tem bom prognóstico.

Grau 2 - Dor em vários locais durante a realização da
atividade causadora da síndrome. A dor é mais persistente e intensa e
aparece durante a jornada de trabalho de modo intermitente. É tolerável
e permite o desempenho da atividade profissional, mas já com
reconhecida redução da produtividade nos períodos de exacerbação. A dor
torna-se mais localizada e pode estar acompanhada de formigamento e
calor, além de leves distúrbios de sensibilidade. Pode haver uma
irradiação definida.

A recuperação é mais demorada mesmo com o repouso
e a dor pode aparecer, ocasionalmente, quando fora do trabalho durante
outras atividades. Os sinais, de modo geral, continuam ausentes. Pode
ser observado, por vezes, pequena nodulação acompanhando bainha de
tendões envolvidos. A palpação da massa muscular pode revelar
hipertonia e dolorimento. Prognóstico favorável.
Grau 3 - Dor desencadeada em outras atividades da mão e
sensibilidade das estruturas; pode aparecer dor em repouso ou perda de
função muscular; a dor torna-se mais persistente, é mais forte e tem
irradiação mais definida. O repouso em geral só atenua a intensidade da
dor, nem sempre fazendo-a desaparecer por completo, persistindo o
dolorimento. Há frequentes paroxismos dolorosos mesmo fora do trabalho,
especialmente à noite. É frequente a perda de força muscular e
parestesias.

Há sensível queda da produtividade, quando não
impossibilidade de executar a função. Os sinais clínicos estão
presentes, sendo o edema frequente e recorrente; a hipertonia muscular
é constante, as alterações de sensibilidade estão quase sempre
presentes, especialmente nos paroxismos dolorosos e acompanhadas de
manifestações como palidez, hiperemia e sudorese das mãos. A
mobilização ou palpação do grupo muscular acometido provoca dor forte.
Nos quadros com comprometimento neurológico compressivo a
eletromiografia pode estar alterada. Nessa etapa o retorno à atividade
produtiva é problemático.
Grau 4 - Dor presente em qualquer movimento da mão, dor após
atividade com um mínimo de movimento, dor em repouso e à noite, aumento
da sensibilidade, perda de função motora. Dor intensa, contínua, por
vezes insuportável, levando o paciente a intenso sofrimento. Os
movimentos acentuam consideravelmente a dor, que em geral se estende a
todo o membro afetado.

Os paroxismos de dor ocorrem mesmo quando o
membro está imobilizado. A perda de força e a perda de controle dos
movimentos se fazem constantes. O edema é persistente e podem aparecer
deformidades, provavelmente por processos fibróticos, redizindo também
o retorno linfático. As atrofias, principalmente dos dedos, são comuns.
A capacidade de trabalho é anulada e os atos da vida diária são também
altamente prejudicados. Nesse estágio são comuns as alterações
psicológicas com quadros de depressão, ansiedade e angústia.


Como combater a LER

Se o seu trabalho atual exige movimentos repetitivos e você já
percebe sinais de LER, talvez queira procurar ajuda médica na empresa.
Se isso não for possível, talvez possa ir a um serviço de saúde para
que um ortopedista avalie o seu caso e tome as medidas necessárias para
ajudá-lo. As chances de recuperação serão muito maiores se a LER for
tratada nos seus estágios iniciais.
Outro modo importante de combater a LER é dar atenção à ergonomia.

O que é ergonomia? O termo é definido como “ciência aplicada que se
ocupa em projetar e arrumar os objetos que as pessoas usam a fim de que
essas e os objetos possam interagir do modo mais eficiente e seguro”.
Assim, a ergonomia tem a ver com adaptar o local de trabalho ao
homem, bem como o homem ao local de trabalho. Porém, não se limita a
melhorar o formato dum teclado ou de um martelo. É preciso levar em
conta as necessidades mentais e emocionais do trabalhador.

Para se
conseguir isso, diz a ergonomista Dra. Ingeborg Sell, a ergonomia
“utiliza-se de dados, informações e conhecimentos de todas as
disciplinas participantes . . . e procura chegar a conhecimentos novos
e abrangentes sobre o homem e seu trabalho”.
É verdade que mudar a ergonomia do local de trabalho pode estar fora
do alcance do trabalhador. Mas os especialistas médicos presentes ao
seminário de LER em Brasília explicaram que a “ergonomia participativa”
não está.

O que significa ergonomia participativa?
O empregador que incentiva a ergonomia participativa no local de
trabalho leva em conta as opiniões dos trabalhadores, convidando-os a
encontrar maneiras de melhorar o local de trabalho. Esse empregador
também dá apoio à criação de uma comissão interna de LER composta de
empregados e membros da diretoria.

Esse grupo fica de olho no local de
trabalho para manter um ambiente seguro e confortável. Preocupa-se com
causas de LER, incentiva a prevenção e define quais são as
responsabilidades de empregador e de empregados no que se refere a
controlar ou eliminar as causas de LER na firma.

Prevenção em casa e no trabalho

A prevenção de LER começa em casa. O que você pode fazer? Quando
acorda, imite seu cão ou gato. Veja como eles alongam os músculos antes
de iniciar um novo dia. Faça o mesmo. E repita esses alongamentos
algumas vezes durante o dia. Isso é essencial para manter saudáveis os
ossos e os músculos. Faça alguns exercícios de aquecimento muscular.
Isso acelerará a circulação sanguínea e aumentará a quantidade de
oxigênio disponível para os músculos fazerem seu trabalho.

Naturalmente, em tempo frio ou antes de praticar esportes, é ainda mais
importante fazer isso. Faça alguns exercícios para fortalecer
especialmente os músculos que você usa mais. Músculos mais fortes
ajudarão a realizar as tarefas necessárias no trabalho.
Além de tomar essas medidas em casa, é preciso um programa de
prevenção no local de trabalho. O empregador pode prevenir problemas de
LER nos trabalhadores preparando uma programação que permita pausas ou
mudanças de ritmo e que inclua um rodízio para que os trabalhadores
executem tarefas diferentes.

Outro passo para a prevenção de LER é fornecer aos trabalhadores
equipamentos apropriados. Isso pode incluir, entre outras coisas,
escrivaninhas e cadeiras de altura apropriada, almofadas de apoio para
o cotovelo, furadeiras e alicates que não exijam que se faça muita
força com a mão, teclados ergonômicos para computadores ou equipamentos
pesados com amortecedores para evitar vibração excessiva.

Junto com o tratamento médico, os sintomas da LER desaparecerão. Ele
poderá até ficar curado. Sem dúvida, é preciso esforço pessoal e
mudanças organizacionais para combater a LER, mas visto que o número de
trabalhadores com esse tipo de doença está aumentando, os benefícios
dessas mudanças possivelmente serão maiores que os custos.

Fonte: Wikipedia




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