Financiar ou Não Financiar em Tempos de Crise? Eis a Questão!

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Procurando pela net artigos sobre as vantagens e desvantagens do financiamento em geral (e principalmente de imóveis) nesses tempos de crise achei um questionamento de um forista e respostas das mais variadas qualidades muito interessantes. Decidi postar aqui pra vocês leitores terem uma idéia da dúvida do forista que pode muito bem ser a sua:

“Minha mulher e eu estamos a procura da casa própria. Entre várias opções que pesquisamos, encontramos um apartamento que atende todas as nossas necessidades num valor de R$120k.

Conseguimos juntar R$50k para entrada, mas depois de conhecer o mundo dos investimentos comecei a analisar melhor as possibilidades de investir essa entrada e poder comprar à vista e obter um bom desconto e ainda sobrar uma grana para comprar um carro popular e ainda sobraria uns trocados para reinvestir.

Nossa renda mensal é de R$3600,00 e os gastos ficam entorno de R$1000,00 ou seja, sobra R$2600,00 para investir.

Fiz uma pequena simulação de R$ 50k numa RF em 3 anos a juros de 1% am descontando o IR: R$68k, mais R$2600,00 mensalmente: R$96k(também descontado o IR) só não descontei a inflação pois ainda não sei fazer esses cálculos. Total: R$164k em 3 anos.

Pela simulação de financiamento à juros de 10,32% com entrada de R$43.151,86 e prazo de 240 meses ficaria em R$174.742,11. Preço final do imóvel: R$217.893,97.

O problema é que minha mulher quer comprar logo o imóvel, e como estou começando a me educar financeiramente, fico com medo de investir mal.

O imóvel parece que terá boa valorização, é novo, acabou de ser entregue pela construtora, fica perto de escolas, ponto de ônibus, faculdades, supermercados e fica em Uma Capital que acredito estar passando por uma grande valorização em geral.

Se fosse para investir agora com o pouco de conhecimento que tenho, optaria pelos CDB’s ou letras hipotecárias que tem a vantagem de não pagar o IF.

Tenho dúvidas a respeito desses investimentos: posso investir a entrada e adicionar todo mês nesse mesmo contrato ou tenho que fazer 2 contratos, um para investir a entrada e outra para as sobras mensais? Quais tipos de investimentos vocês sugeriam-me para 3 anos? Como posso saber o potencial de valorização do imóvel?

Quem puder ajudar agradeço muito!!”

Entre as respostas com Melhor qualidade estão as seguintes:

Caro Amigo,

Há cerca de 1 ano, eu e minha esposa vivenciamos situação semelhante. Ou seja, ela também queria que comprássemos um apartamento.

A situação de valores também era semelhante, só que o imóvel que procurávamos sairia por pelo menos R$150mil à vista (dinheiro que também não tínhamos).

Como resolvemos este impasse? Fui às contas, detalhando tudo na planilha eletrônica (inclusive cálculos de inflação). Como resultado, ela ficou convencida de que o melhor no nosso caso seria continuarmos no aluguel e fazer um plano de investimentos correspondente ao financiamento que pagaríamos. Já estamos com 1 ano de investimentos, e cumprindo à risca o planejado.

O planejamento é reavaliado anualmente. Se nada de extraordinário acontecer, imagino que não teremos interesse em adquirir imóvel nos próximos 8a 10 anos. Por outro lado, se decidirmos adquirir o imóvel próximo deste prazo, poderemos comprar um imóvel muito melhor do que tínhamos em vista.

Decidimos deixar o dinheiro trabalhar para nós, e não trabalhar para ele!

Avalie bem a sua situação e boa sorte!

Amigo, acho que você mesmo já respondeu sua questão: se é para morar, não é investimento. Mas se conseguir que não se torne um sorvedor de dinheiro (passivo bravo) já é muita coisa.

Pois de fato a questão da segurança em ter onde ficar deve ser considerada! O imóvel - se não passar da casa dos 180 mil - é uma opção que não deve ser descartada.

Por mais que seus estudos indiquem melhor investimento não comprar a casa, no final o relacionamento do casal também é um fator a ser considerado: estresse constante com futuro incerto acaba com qualquer casamento.

O que você pode fazer é montar uma estratégia para que este NÃO seja seu único imóvel/investimento. Ou seja, por conta da “segurança” da casa própria, a família fica acomodada/estagnada, e não projeta para o futuro outros objetivos.

Se até mesmo no caso de um frequentador do fórum que questionava a compra de um imóvel de 400 mil era válido a COMPRA do imóvel (e este sim, não tem perspectivas de valorização), creio que um na faixa da 100 mil tem perspectivas de valorização (contanto que não seja um Cohab, onde os preços também estão nessa faixa por conta da especulação imobiliaria, o que é um absurdo já que este tipo de imóvel não pode ser usado para este fim!)

Este é outro ponto: os imóveis estão em alta ou em baixa na sua região? Na minha região, até mesmo Cohabs sem vaga para carro estão pedindo financiamento na CEF na ordem de 80mil (que se vai parar na mão de avaliador sério, é barrado, visto que estas casas são populares e bancadas pelo governo: é muita cara de pau brincar de especulador imobiliário quando praticamente a casa quase não foi paga. Pior que isso, só os do Cingapura e favelas verticais que ficam pedindo 50 mil por uma casa que ganhou de graça)

A compra de um imóvel demanda tempo e paciência: não é em três finais de semana (um mês) que vai conseguir encontrar uma oportunidade. É necessário andar muito até que surja aquela galinha morta, onde o proprietário precisa vender logo, e o imóvel não seja uma fria (documentação fria, etc)”

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