Bahia tem pólo econômico de 14bilhões…

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Fonte: http://www.terra.com.br/istoedinheiro/

Na segunda-feira, 29, o presidente Lula tem agenda cheia, mas não se
incomodará. Passará boa parte do tempo em um cenário que conhece bem e
de onde despertou para a cena política: uma fábrica de automóveis. Não
vai para fazer os discursos inflamados de outrora, desta vez estará ao
lado de dirigentes para celebrar a produção de um milhão de veículos do
Complexo Industrial Ford em Camaçari (BA) e ver de perto como a
indústria mudou a economia de uma região que há apenas sete anos não
tinha qualquer tradição automotiva. Certamente, ele LANA PINHEIRO, DE
CAMAÇARI (BA) se surpreenderá. Camaçari hoje é a cidade que detém o
maior PIB do Nordeste (R$ 15,9 bilhões), tem 220 mil habitantes,
salário médio de R$ 4 mil, contribui com US$ 2,3 bilhões nas
exportações do Estado e abriga empresas que juntas faturam mais de US$
14 bilhões. A melhora dos indicadores não parou por aí. Com a
industrialização do município, os moradores ganharam cinema e teatro,
seis instituições de ensino e, em breve, terão saneamento em 100% da
região, contra os 3% atuais. A verba, R$ 70 milhões, vem do Programa de
Aceleração do Crescimento.




Não é à toa que muitos dos cidadãos baianos adotaram como medida temporal as eras Antes da Ford e Pós-Ford. Quando a montadora desistiu de instalar a fábrica no Rio Grande do Sul, em 1999, para ir à Bahia levou consigo 25 fornecedores diretos e um cofre com US$ 1,9 bilhão.Teve
boas vantagens para isso. A infra-estrutura da fábrica estava pronta e
benefícios fiscais foram concedidos como isenção do ISS e IPTU. Além
disso, conseguiu concessão de exploração de um porto dedicado que escoa
30% da produção para o Exterior. Mas é fato que a montadora conseguiu
oferecer à região algo raro até então: emprego de qualidade. A previsão
era gerar seis mil postos diretos. Hoje, são mais de 13 mil indiretos e
8,5 mil diretos com 90% ocupados por baianos. Em alguns fornecedores,
como a Visteon, a mão-de-obra local chega a quase 100%. “Nosso maior
desafio era a qualidade da mão-de-obra, mas tivemos uma grata
surpresa”, disse à DINHEIRO Hélio Contador, presidente da empresa que
fornece o painel de controle para a montadora.

O início, no entanto, foi difícil e investimentos pesados
foram feitos para oferecer 900 horas de treinamento aos funcionários.
Hoje, entre as seis instituições de ensino recém-construídas está o
Senai Cimatec, que também será visitado pela comitiva presidencial. O
próprio Lula vai inaugurar o segundo prédio da instituição que
adicionará 23 laboratórios de ponta aos 33 em funcionamento. O
investimento supera os R$ 34 milhões. “Hoje somos um centro
profissionalizante, com faculdade, e em breve teremos mestrado”, afirma
o diretor do Cimatec, Leone Andrade. A profissionalização da
mão-de-obra se vê na montadora. Em 2000, dos 50 engenheiros contratados
oito eram da Bahia. Atualmente, um em cada três dos 1,2 mil engenheiros
da fábrica é da região. “Diziam que a Bahia só produziria commodities”,
lembra o secretário de Planejamento do Estado, Ronald Lobato. “Mas hoje
temos aqui uma forte engenharia.”

 

Pib de R$15,9 bilhões faz de Camaçari o município mais rico da região Nordeste

 

Em
paralelo à regionalização da mão-de-obra, aconteceu também o fenômeno
da “baianização” dos componentes. As 32 empresas de autopeças
instaladas em Camaçari investiram R$ 700 milhões
para
garantir que 76% da produção seja de conteúdo local. Segundo o
presidente da Ford no Brasil, Marcos Oliveira, o índice aumentará.
“Estamos em um ótimo nível, mas vamos melhorar”, disse Oliveira à
DINHEIRO. Ele não está sozinho na luta. “Existe um esforço grande das
empresas, do governo e da Federação das Indústrias da Bahia para
aumentar o índice de peças produzidas aqui”, diz o diretor da Dow
Química, Anode Tavares Filho, que tem 20% de conteúdo local. Os
esforços do governo vão além de benefícios fiscais. “Somos uma ponte
entre o Sudeste e o Nordeste”, diz o secretário de Indústria de
Camaçari, Djalma de Souza. “Vamos aproveitar melhor isso investindo em
infra-estrutura com a ajuda de parcerias privadas.” O retorno para o
governo é certo. De 2001 a 2006 a arrecadação de ICMS de Camaçari
saltou de R$ 329 milhões para R$ 700 milhões.

 

Com tantos
esforços, Camaçari é um novo pólo de atração de grandes grupos. Hoje,
190 projetos para instalação no município estão em análise. São as
seguidoras da Ford, que foi para o Nordeste quando o mercado estava em
baixa e sua participação de 6,6% era a pior da história. “Tivemos
coragem, mas tínhamos certeza que o projeto da Bahia seria vencedor”,
diz Rogélio Golfarb, diretor da montadora que hoje tem 10% do mercado e
é lucrativa. O presidente Lula estará lá para ver e crer.

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