A história de O senhor dos Anéis (Lord of the Rings)

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O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings) é um romance de fantasia criado pelo escritor, professor e filólogo inglês J.R.R. Tolkien. A história começa como seqüência de um livro anterior de Tolkien, O Hobbit (The Hobbit), e logo se desenvolve numa história muito maior. Foi escrito entre 1937 e 1949, com muitas partes criadas durante a Segunda Guerra Mundial.[1] Embora Tolkien tenha planejado realizá-lo em volume único, foi originalmente publicado em três volumes entre 1954 e 1955,
e foi assim, em três volumes que se tornou popular.




Desde então foi
reimpresso várias vezes e foi traduzido para mais de 40 línguas,[2] tornando-se um dos trabalhos mais populares da literatura do século XX.
A primeira edição em português, da extinta editora Artenova
(tradução de Antônio Rocha e Alberto Monjardim), era constituida por
seis volumes, o primeiro dos quais intitulava-se “Terra Mágica”. A
segunda edição em português foi editada em Portugal durante os anos de
1980, pela editora Europa América.

A história de O Senhor dos Anéis ocorre em um tempo e espaço imaginários, a Terceira Era da Terra Média, que é um mundo inspirado na Terra real, mais especificamente, segundo Tolkien, numa Europa mitológica, habitado por Humanos e por outras raças humanóides: Elfos, Anões e Orcs. Tolkien deu o nome a esse lugar a palavra do inglês moderno, Middle-earth (Terra-Média), derivado do inglês antigo, Middangeard, o reino onde humanos vivem na mitologia Nórdica e Germânica. O próprio Tolkien disse que pretendia ambientá-la na nossa Terra, aproximadamente 6000 anos atrás[3], embora a correspondência com a geografia e a história do mundo real fosse frágil.

A história narra o conflito contra o mal que se alastra pela Terra-média ], através da luta de várias raças - Humanos, Anões, Elfos, Ents e Hobbits - contra Orcs, para evitar que o “Anel do Poder” volte às mãos de seu criador Sauron, o Senhor do Escuro. Partindo dos primórdios tranqüilos do Condado, a história muda através da Terra-média e segue o curso da Guerra do Anel através dos olhos de seus personagens, especialmente do protagonista, Frodo Bolseiro. A história principal é seguida por seis apêndices que fornecem uma riqueza do material de fundo histórico e lingüístico.[4]

Juntamente com outras obras de Tolkien, O Senhor dos Anéis
foi objeto de extensiva análise de seus temas e origens literárias.
Embora um grande trabalho tenha sido feito, a história é meramente o
resultado de uma mitologia na qual Tolkien trabalhava desde 1917.[5] As influências sobre este antigo trabalho e sobre a história do Senhor dos Anéis englobam desde elementos de filologia, mitologia, industrialização e religião até antigos trabalhos de fantasia , bem como as experiências de Tolkien na Primeira Guerra Mundial.[6]

O Senhor dos Anéis teve um efeito grande na fantasia moderna, e o
impacto de trabalhos de Tolkien é tal que o uso das palavras
“Tolkienian” e “Tolkienesque” (”Tolkieniano” e “Tolkienesco”) ficou
gravado no dicionário Oxford English Dictionary.[7]
A enorme e permanente popularidade de O Senhor dos Anéis levou a numerosas referências na cultura pop, à criação de muitas sociedades de fãs da obra de Tolkien[8] e à publicação de muitos ensaios sobre Tolkien e seu trabalho.

O Senhor dos Anéis inspirou (e continua inspirando) trabalhos de arte, a música, cinema e televisão, videogames e uma literatura paralela. Adaptações do livro foram feitas para rádio, teatro e cinema. Em 2001 – 2003 foi lançado o filme A Trilogia de O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings film trilogy), que promoveu uma nova explosão de interesse pelo Senhor dos Anéis e por outras obras do autor.[9]

Já foi dito que a obra deveria ser lançada em um único volume, mas
foi dividido em três como forma de baratear os custos (havia
racionamento de papel na Inglaterra do pós-guerra). Cada volume é
dividido em dois tomos ou “livros”.

  1. O primeiro volume, A Sociedade do Anel, publicado em 1954 contém um prólogo, no qual são dadas as características dos Hobbits.
  2. O segundo volume, as Duas Torres, publicado alguns meses depois de A Sociedade do Anel, também em 1954, continua a história original com mais personagens.
  3. A saga termina com a publicação em 1955 do terceiro volume, entitulado O Retorno do Rei
    que contém diversos apêndices explicativos sobre a história, as
    línguas, a cronologia da narrativa e outras informações adicionais
    sobre a mitologia criada por Tolkien para a sua Terra-Média.

O pano de fundo da história é revelado enquanto o livro progride, e elaborado também nos apêndices e no Silmarillion e em Contos Inacabados,
os últimos publicados após a morte de Tolkien. Começa milhares dos anos
antes da ação no livro, com a ascensão do epônimo senhor dos anéis,
senhor escuro Sauron, possuídor de grandes poderes supernaturais, que governava o temido reino de Mordor.

No fim da Primeira Era da Terra Média, Sauron sobreviveu à catastrófica derrota e o exílio de seu mestre, a figura fundamental do mal, Morgoth e durante a Segunda Era Sauron planejou ganhar o domínio sobre a Terra Média. Sob aparência de “Annatar” ou senhor dos presentes; ajudou os elfos ferreiros de Eregion, e fomentou a forja dos anéis mágicos que conferenciaram vários poderes e habilidades aos seus portadores, mas Celebrimbor, líder dos elfos ferreiros (muito talentoso e neto de Fëanor que criara as Silmarils na Primeira Era), os tinha forjado independentemente de Sauron.

Os mais importantes destes foram os dezenove anéis do poder ou os Grandes Anéis.
Então Sauron forjou secretamente um Grande Anel para si próprio, o Um Anel,
pois planejava escravizar os portadores dos outros anéis do poder. Este
plano falhou em parte porque os elfos tomaram ciência dele e esconderam
seus anéis, os Três Anéis Élficos, dando-os aos Sábios de seu tempo (Galadriel, Círdan e Gil-Galad).
Esses, Sauron jamais tocou.

Sauron lançou-se então à guerra, durante a
qual capturou dezesseis dos anéis do poder e os distribuiu aos senhores
e aos reis dos anões e dos homens, estes anéis foram conhecidos como os
sete e os nove respectivamente. Os Senhores Anões se provaram demasiado
resistentes à escravização, embora seu desejo natural para a riqueza,
especialmente ouro, aumentasse; isto trouxe muitos conflitos entre eles
e outras raças. Dos sete Anéis que tinham sido dados aos Senhores
Anões, Sauron recuperou os que não tinham sido destruídos, e dos nove
Anéis presenteados aos Homens, Sauron trouxe todos para sua custódia.
Esses humanos portadores dos Nove lentamente se corromperam e
transformaram-se conseqüentemente nos morto-vivos ,Nazgûl, os Espectros do Anel, os servos mais temidos de Sauron.

Após 1.500 anos, o Númenorianos enviaram uma grande força para destruir Sauron, conduzida por seu poderoso monarca Ar-Pharazôn, o Dourado. Abandonado por seus servos, Sauron rendeu-se e foi feito prisioneiro de Númenor. Entretanto, com perspicácia e força de vontade, começou a aconselhar o rei e envenenou as mentes do Númenorianos contra os Valar. Iludiu seu rei, aconselhando-o a invadir as Terras Imortais para conseguir ser imortal como os Valar e os elfos.

Os Valar, ao saberem da invasão, invocaram Eru Ilúvatar,
que causou um deslizamento de terras sobre os Númenorianos, e abriu uma
grande abismo no mar, destruindo Númenor e separando as Terras Imortais
das Mortais. O corpo físico de Sauron foi destruído, mas seu espírito retornou a Mordor e assumiu um nova e terrível forma. Alguns Númenorianos (chamados de Fiéis por não terem deixado de adorar Ilúvatar) também obtiveram sucesso em escapar para a Terra-média. Esses eram chamados de Elendili e foram conduzidos por Elendil e seus filhos Isildur e Anárion.

Depois de cem anos, Sauron lançou um ataque de encontro aos Númenorianos exilados. Elendil formou a Último Aliança dos Elfos e dos Homens com o Elfo-rei Gil-galad. Marcharam de encontro a Mordor, derrotando os exércitos de Sauron na planície de Dagorlad e sitiaram a fortaleza Barad-dûr,
onde Anárion morreu. Após sete anos sitiado, o próprio Sauron foi
forçado a vir para fora e entrar num combate com os líderes. Gil-galad
e Elendil foram mortos enquanto lutavam com Sauron e a espada de
Elendil, Narsil, quebrou-se.

O corpo de Sauron foi subjugado e morto [3] e Isildur cortou o Um Anel de sua mão com que sobrara da espada, Narsil;
quando isto aconteceu, o espírito de Sauron fugiu e não reapareceu por
muitos séculos. Isildur foi aconselhado a destruir o Um Anel
arremessando-o no vulcão da Montanha da Perdição onde foi forjado, mas atraído pela sua beleza, Isildur preferiu conservá-lo para que fosse a herança de seu povo.
Começou assim a Terceira Era
da Terra-média. Dois anos mais tarde Isildur e seus soldados foram
atacados em uma emboscada por um bando de Orcs no que foi chamado
posteriormente de Desastre dos Campos do Lis.
Quase todos os homens foram mortos, mas Isildur escapou pondo o Anel,
que torna invisível quem o coloca.

Mas o Um traiu o seu portador,
escapando do dedo de Isildur, que foi visto e flechado pelos orcs, e o
Anel foi perdido por dois milênios.
Foi então encontrado, por acaso, no rio por um ancestral dos hobbits chamado Déagol. Seu parente e amigo [3] Sméagol o estrangulou para roubar o Anel. Sméagol fugiu para a Montanhas Sombrias depois de ter sido expulso de casa, e nas raízes das montanhas se transformou numa criatura repulsiva e nojenta chamada Gollum.

Em O Hobbit,
aproximadamente 60 anos antes dos eventos do Senhor dos Anéis, Tolkien
relacionou a história do encontro aparentemente acidental do Anel por
um outro hobbit, Bilbo Bolseiro, que o leva para sua casa, o Condado. Foi somente durante a criação de O Senhor dos Anéis que Tolkien relacionou as histórias.[3]. Nem Bilbo nem o mago Gandalf estavam cientes neste momento que o anel mágico de Bilbo era o Um Anel, forjado pelo senhor do escuro, Sauron.
A saga do Anel conta, no final da Terceira Era, a luta entre os povos livres da Terra-média contra Sauron, que procura pelo Um Anel e tem o intuito de dominar toda a Terra-média, assim como seu mestre, Morgoth, tentara.

Frodo Bolseiro é um hobbit do Condado, que recebe de seu tio Bilbo um anel de rara beleza. Esse anel tem uma longa história: foi roubado de uma criatura chamada Gollum (como relatado no livro O Hobbit), e desde então ele tem sido guardado por Bilbo.
o Mago Gandalf, um velho amigo de Bilbo, percebe o poder que aquele anel possui, não sendo um anel comum, mas sim o Um Anel, artefato mágico forjado por Sauron,
o Senhor do Escuro, e que fora perdido numa batalha muito tempo antes.
Se recuperado, o Um Anel permitiria a Sauron o domínio definitivo sobre
toda a Terra-média.

O Um Anel, ou Anel do Poder, dera longevidade fora do comum a seu antigo dono, Bilbo,
e possuia consciência, uma vontade própria que o conduzia sempre na
direção do seu criador e senhor. Gandalf aconselha Frodo a deixar o
Condado pois servos de Sauron conhecidos como Nazgûl
estão à procura do Um Anel. Gandalf parte em busca de ajuda mas não
manda notícias durante vários meses. Frodo decide então deixar o
Condado furtivamente, levando consigo seu fiel amigo e jardineiro, Samwise Gamgee, mais conhecido como Sam.

Os dois companheiros viajam a pé rumo a Bri, uma vila habitada por Homens, perto da fronteira do Condado.
No caminho, juntam-se a eles dois outros hobbits, Merry e Pippin.
Os hobbits resolvem pegar um atalho que passa através da Floresta
Velha, lar de árvores que se comunicam entre si. Dentro da Floresta, os
hobbits são salvos de uma árvore violenta por um estranho ser que adora
cantar: o enigmático Tom Bombadil, um dos maiores mistérios de Tolkien.
Passando por outros perigos, os hobbits chegam a Bri, e lá aceitam a ajuda de um Guardião chamado Passolargo, amigo de Gandalf, que os guia até Valfenda, um reino ainda habitado por elfos,
seres imortais, detentores de grande poder, beleza e sabedoria.

Mas o
caminho ainda é perigoso: o grupo é emboscado no Topo do Vento e Frodo acaba apunhalado por um Nazgûl,
Espectro do Anel. Passolargo consegue repelir a ofensiva do Inimigo e
foge com Frodo, que está gravemente ferido, e os outros hobbits. Quando
estão sendo alcançados novamente pelos Espectros do Anel, o elfo
Glorfindel os encontra e os conduz em segurança até Valfenda. Os Nazgul
tentam detê-los mas são varridos pela inundação súbita do rio Baraduin.
Já curado, Frodo descobre as maravilhas de Valfenda e lá é realizado um conselho liderado por Elrond, o meio-elfo mestre de Valfenda e pai de Arwen, a amada de Passolargo, cujo verdadeiro nome é Aragorn, que se revela descendente de Isildur e herdeiro do Trono de Gondor.
No Conselho de Elrond são expostos os problemas relacionados ao Um Anel.

Boromir, filho do regente de Gondor, sugere usar o Anel do Poder contra
Sauron. Elrond e Gandalf rejeitam a idéia imediatamente e explicam os
vários motivos pelos quais não podem usá-lo contra o “Senhor dos
Anéis”: Sauron é o único e verdadeiro mestre do Anel, pois o forjou,
sendo portanto totalmente maligno, além disso, seu poder é grande
demais para ser controlado por mortais comuns e mesmo os poderosos
entre os povos livres da Terra-Média, como os imortais elfos (Elrond) e
os magos (Gandalf), temem inclusive tocá-lo. O poder quase absoluto do
anel corrompe o caráter e deforma a personalidade daquele que se atreve
a empunhá-lo, ainda que movido por boas intenções. Quem quer que tente
derrotar Sauron utilizando magia, acabará se tornando o próximo Senhor
do Escuro.

Dada a impossibilidade de utilizar o Um Anel como arma de guerra, é imposta a tarefa de levá-lo até a Montanha da Perdição,
um vulcão localizado no centro de Mordor, a Terra Negra do Inimigo,
onde o anel fora forjado e também o único lugar onde poderia ser
destruído.
Para essa missão, de sucesso improvável, é formada a Sociedade do Anel, composta por nove companheiros:quatro hobbits (Frodo,Sam,Merry e Pippin), dois humanos (Aragorn e Boromir), um elfo (Legolas), um anão (Gimli) e um mago (Gandalf). Frodo seria o Portador do Anel, aquele que deveria lançar o Anel nos fogos de Orodruin.

A Sociedade do Anel parte em direção ao sul. Cientes que essa rota
está sendo vigiada pelo Inimigo, o grupo faz um desvio para Leste
através das Montanhas Nebulosas, mas são obrigados a voltar por causa
da neve e do frio. Um caminho alternativo os leva até a temida Moria, reino subterrâneo dos anões, onde Gandalf é morto lutando com um Balrog, um demônio do mundo antigo. Os outros companheiros escapam e chegam em segurança a Lothlórien, reino da rainha élfica Galadriel,
temida por seu poder mas dotada de rara beleza e sabedoria. Nesse reino
encantado, onde o tempo parece não passar, os viajantes recebem auxílio
e conselhos. Após algumas semanas de descanso, a Sociedade do Anel,
agora liderada por Aragorn, parte de Lothlorien em direção ao sul,
navegando o grande rio Anduin em canoas construídas pelos elfos da
Floresta Dourada.

Quando param para descansar próximo às cataratas de
Rauros, Boromir tem uma discussão com Frodo, e tenta roubar-lhe o Anel
do Poder. Frodo foge e decide ir sozinho para Mordor. Quando os outros
membros da Sociedade do Anel vão em busca de Frodo, são atacados por
Uruk-hai (sub-espécie de Orc, mais alta e forte) enviados por Saruman, um mago renegado que se aliou a Sauron, mas que também ambiciona o Anel do Poder.
Na luta que se segue, a Sociedade é rompida:Merry e Pippin são capturados pelos uruk-hai, Boromir morre ao defendê-los, Aragorn, Legolas e Gimli decidem resgatar os hobbits aprisionados, Frodo e Sam partem sozinhos para a Montanha da Perdição.

Aragorn, Legolas e Gimli seguem os rastros dos hobbits capturados e o caminho os conduz até a Floresta de Fangorn. Nela encontram o Mago Branco que inicialmente pensam ser Saruman, o traidor. No entanto, o velho enigmático revela-se Gandalf, que morreu enfrentando o Balrog e retornou da morte para cumprir sua missão na Terra-Média. Os quatro seguem então para Rohan,
Terra dos Cavalos. Sua capital Edoras fica no alto de uma colina, onde
os rohirrim ergueram Meduseld, O Palácio Dourado.

Nele vive o rei Théoden , cuja mente fora envenenada por Saruman
através de um agente infiltrado, o conselheiro Gríma Língua-de-cobra.
Gandalf expulsa Grima, cura o rei de seus males, e o aconselha a
enfrentar a ameaça de Saruman e partir rumo a Isengard, fortaleza de Saruman, com todos os guerreiros disponíveis.
Enquanto isso, os hobbits Merry e Pippin conseguem escapar dos uruk-hais, e fogem para o interior da Floresta de Fangorn.

Lá encontram Barbárvore, um Ent, um gigante em forma de árvore, e cujas origens remontam a tempos muitíssimo mais antigos que a Terceira Era, na qual se passa essa história.
Barbárvore
leva Merry e Pippin a sua casa, onde descansam enquanto os Ents são
convocados para uma reunião (o “Entebate”) no qual se discute, na
lentíssima língua dos ents, o que fazer com o Inimigo Saruman. Os Ents
decidem ir à guerra e partem rumo a Isengard. Os Ents invadem a
fortaleza de Saruman, massacram os odiados orcs, que haviam derrubado
muitas árvores de Fangorn, e apagam as fornalhas de Isengard desviando
o curso do Rio Isen. Todo o círculo de Orthanc é inundado, ficando Saruman isolado pelas águas em sua Torre de pedra.

De volta a Rohan, o rei Theoden envia velhos, mulheres e crianças
para a segurança do Templo da Colina, um refúgio nas montanhas,
enquanto os cavaleiros de Rohan partem em direção a Isengard.
Entretanto, são obrigados a fazer um desvio que os leva até o Abismo de Helm, um estreito desfiladeiro onde os rohirrim
construíram uma fortaleza de pedra (o “Forte da Trombeta”). Nela, as
tropas de Rohan buscam refúgio mas acabam sitiadas pelos Uruk-hai de
Saruman. Após horas de batalha sangrenta, os orcs são derrotados com a
ajuda de outras tropas de Rohirrim, trazidas por Gandalf. Os Orcs
remanescentes fogem mas são massacrados pelos Huorns, Ents mais
arvorescos, que buscam vingança pela destruição da Floresta de Fangorn.

Finda a Batalha do Abismo de Helm, o rei Theoden, Gandalf, Aragorn, Legolas e Gimli, cavalgam até Isengard.
Ao chegarem lá, encontram Merry e Pippin sãos e salvos, e se
surpreendem com os hobbits se fartando com as provisões de comida,
vinho e fumo da fortaleza do Inimigo. Numa última e desesperada
tentativa, Saruman procura seduzir o grupo com sua voz persuasiva,
quase hipnótica, mas Gandalf anula o feitiço e ainda o expulsa da ordem
dos Istari, quebrando seu cajado. Nesse momento, Gríma língua de cobra
atira da Torre de Orthanc um Palantír, pedra vidente que é capaz de comunicar-se com outras semelhantes. Gandalf a recolhe para posterior averiguação.

À noite no acampamento, Pippin, em sua incontrolável curiosidade, agarra o Palantír e olha em seu interior, e numa visão, vê o próprio Sauron,
mas por sorte não revela nada dos planos dos povos livres, e ainda vê
uma parte dos planos do Senhor dos Anéis: seu primeiro ataque será
contra a capital do Reino de Gondor, a cidade de Minas Tirith.
Gandalf parte então com Pippin para Minas Tirith a fim de alertar Gondor da guerra iminente, encerrando assim a primeira parte de As Duas Torres.
A segunda parte do livro, que fala sobre Frodo e Sam, inicia-se com a captura de Gollum. Em troca de sua liberdade, ele promete levar os dois até Mordor, onde fica a Montanha da Perdição. Assim é feito.
Mas Gollum não é totalmente fiel, nem totalmente sincero.

Apenas Sam
é capaz de perceber suas verdadeiras intenções. Gollum é uma criatura
velha e “pegajosa” que já foi um hobbit, mas que foi possuído pelo
poder do Um Anel, e jamais conseguiu libertar-se dessa atração: um lado
de sua personalidade dividida quer levar os hobbits até Mordor em
segurança, mas a outra pretende matá-los e apossar-se do Anel que lhe
foi roubado.
Atravessando vários lugares, os hobbits são guiados até o Portão
Negro de Mordor, mas este está fechado, e os hobbits, conduzidos por
Gollum, seguem outro caminho.
Ao pararem para descansar e comer, Frodo e Sam testemunham uma
batalha entre Homens de Gondor e os Haradrim, aliados de Sauron. Gollum
desaparece e os hobbits são capturados por uma patrulha chefiada por
Faramir, irmão de Boromir.

Frodo e Sam são levados até um esconderijo
situado atrás de uma cachoeira onde Sam inadvertidamente revela o
objetivo da missão (a destruição do anel do poder).
Frodo repreende Sam e teme que Faramir seja como seu falecido irmão
e queira tomar o anel para si. Entretanto, para sua surpresa, Faramir
revela grande força de caráter e nobreza de coração, e os liberta para
que possam cumprir sua tarefa.
Os hobbits reiniciam sua jornada para Mordor, com Gollum como seu
guia, e decidem atravessar as montanhas através de Cirith Ungol, local
de má fama, considerado maldito e perigoso. Este caminho os leva até
uma escada talhada em um paredão de rocha, que termina num túnel.

O
plano de Gollum, que se rendeu ao mal, é guiá-los através desse túnel e
lá dentro entregá-los a Laracna, uma aranha gigantesca, descendente da terrível Ungoliant.
O esquema de Gollum funciona em parte: Frodo é picado por Laracna, mas
Sam luta desesperadamente contra o terrível aracnídeo e acaba
derrotando-o com um golpe de espada num ponto fraco de sua couraça.
Convicto da morte de Frodo, Sam decide assumir o fardo do anel e
completar a missão de seu mestre.

Nesse ínterim, uma patrulha de orcs
se aproxima, e Sam volta para evitar que o cadáver de Frodo vire
carniça de orcs. Sam ouve a conversa dos servos de Sauron e tem um
choque ao saber que Frodo na verdade não estava morto, apenas
inconsciente (Laracna preferia comer seu lanche vivo!). As Duas Torres termina com os orcs levando o adormecido Frodo para a Torre de Cirith Ungol
e com o Hobbit Samwise Gamgee em desespero, que tem de escolher entre
continuar a missão do Anel ou tentar salvar Frodo das garras dos orcs.

Gandalf e Pippin entram na cidade de Minas Tirith, onde se encontram com Denethor, regente do reino de Gondor. Gandalf o avisa da guerra próxima, e o regente pede a ajuda de Rohan, mas revela seu rancor por Aragorn, que, sendo filho do último rei, é o herdeiro legítimo do trono de Gondor. Merry, entretanto, permanece com os rohirrim, para servir ao rei Théoden, que reune todos os guerreiros aptos de seu reino e parte para a guerra em Minas Tirith. Junto com ele vão Aragorn, Legolas e Gimli.
Enquanto isso, Sam penetra na torre de Cirith Ungol, e resgata Frodo, que era mantido prisioneiro. Com muita sorte, ambos escapam dos muitos orcs, e adentram Mordor, uma imensa terra devastada, coberta de pó, cinza e fogo, cujo próprio ar é carregado de fumaça venenosa.

Após receberem uma mensagem de Elrond, Aragorn, Legolas e Gimli
deixam o exército de Rohan e viajam então para as Sendas dos Mortos. Lá
Aragorn convoca um exército de almas penadas/ mortos-vivos (o livro não
deixa muito claro ) a cumprirem um antigo juramento de lealdade para
com Isildur,
o primeiro rei de Gondor e seu ancestral direto. Os mortos haviam
jurado lutar ao lado de Gondor mas fugiram para as montanhas quando
foram chamados à guerra. Isildur então os amaldiçoou a não terem paz,
nem na vida nem na morte, até que sua promessa fosse cumprida.
Quando a guerra se abate sobre Gondor, o exército dos mortos,
liderado por Aragorn, liberta um porto no grande rio Anduin, dominado
pelos Haradrim (habitantes do sul da Terra-Média), o que permite o
embarque de tropas aliadas que vão em auxílio de Minas Tirith,
sitiada pelas Tropas de Sauron.

Terminada a batalha dos Campos do
Pelennor,que ainda não fora a batalha definitiva, os exércitos de
Gondor e Rohan, marcham rumo ao Portão Negro de Mordor.
O objetivo da arriscada manobra é atrair os exércitos remanescentes do
Inimigo e esvaziar a Terra Negra, possibilitando a passagem de Frodo e Sam até a Montanha da Perdição, onde o Anel do Poder poderia ser destruído.
Tudo ocorre como previsto: os exércitos de Mordor caem na armadilha.
Frodo e Sam conseguem passar, todavia antes de entrarem na Montanha da
Perdição, encontram Gollum
em seu caminho. Os hobbits se separam, Frodo adentra as Fendas da
Perdição, uma câmara no vulcão que dá acesso à lava chamejante. Quando
já está à beira do precipício, surpreendentemente, Frodo é dominado
pelo Anel do Poder e o reivindica para si: “o anel é meu, não vou destruí-lo!”.

Nisso, Gollum intervém, ele e Frodo lutam ferozmente, até que Gollum
arranca o anel das mãos de Frodo. Gollum escorrega e cai acidentalmente
(ou não) na lava ardente, levando consigo o Um Anel, que é destruído, assim como Sauron, cujo espírito estava vinculado ao anel, e seus servos orcs, que dependiam de sua força e comando.
Aragorn então assume o trono de Gondor com o nome élfico Elessar, sendo coroado Rei por Gandalf, e se casa com a meia-elfa Arwen. Tem início assim a Quarta Era, a era do Domínio dos Homens. Os elfos remanescentes da Terra-Média decidem partir para Aman, morada dos deuses Valar.

Os quatro Hobbits então retornam para o Condado, tendo que enfrentar um último inimigo: Saruman que se apossou do Condado. Mas o mago acaba morto pelas mãos de Grima Língua-de-cobra, e a paz volta à terra dos hobbits.
O livro termina com a partida para as Terras Imortais (Aman) de Gandalf, Galadriel, Elrond
assim como dos hobbits Frodo e seu tio Bilbo, que, embora mortais,
conquistam o direito de viver o resto de seus dias junto aos Elfos e
aos Valar, como reconhecimento de sua lealdade e sacrifício durante a
Guerra contra Sauron e por terem sido portadores do Um Anel.

O Senhor dos Anéis foi iniciado como um seqüência para o Hobbit, história publicada em 1937 que Tolkien tinha escrito e tinha sido lida originalmente por muitos jovens.[10]
A popularidade de O Hobbit levou seu editor a pedir por mais histórias
sobre hobbits, de modo que o mesmo ano Tolkien, com 45 idade, começou a
escrever a história que se transformaria no Senhor dos Anéis. A
história não seria terminada até 12 anos mais tarde, em 1949, e não foi
publicado antes de 1954, quando Tolkien tinha 63 anos de idade.
Tolkien originalmente não pretendia escrever um seqüência para O
Hobbit, e nesse tempo dedicou-se mais a histórias infantis, tais como Roverandom e Mestre Gil de Ham. Como seu trabalho principal, Tolkien esboçava a história de Arda, das Silmarils e das raças que habitavam a Terra.

Tolkien morreu antes de terminar e unir este trabalho, conhecido hoje como o Silmarillion, mas seu filho Christopher Tolkien editou o trabalho do seu pai e publicou-o em 1977.[11] Alguns biógrafos de Tolkien consideram O Silmarillion como o verdadeiro “trabalho de seu coração”,[12]
fornecendo o contexto histórico e lingüístico para seu trabalho mais
popular e para suas línguas criadas, que ocupavam a maior parte do
tempo de Tolkien. Em conseqüência O Senhor dos Anéis terminou acima dos
últimos movimentos do legendário de Tolkien e em sua própria opinião
“muito maior, e eu espero também na proporção do melhor, do ciclo
inteiro.” [3]

Persuadido por seus editores, começou “um novo Hobbit” em dezembro de 1937.[10] Depois que diversos começos falsos, a história do Um Anel logo emergiu e o livro mudou de uma seqüência do Hobbit, para mais uma seqüência do ainda não publicado Silmarillion. A criação do primeiro capítulo (Uma festa muito esperada)
sucedeu bem, embora as razões por atrás do desaparecimento de Bilbo, do
significado do anel e do título do Senhor dos Anéis não chegassem até a
primavera de 1938.[10]
Originalmente, planejou escrever uma outra história em que Bilbo tinha
esgotado todo seu tesouro e procurava uma outra aventura para ganhar
mais; entretanto, recordou-se do anel e seus poderes e decidiu-se
escrever preferivelmente sobre ele.[10]

Começou com o Bilbo como personagem principal, mas decidiu-se que a
história era demasiada séria usar um hobbit divertido e amoroso e assim
que Tolkien procurou usar um membro da família de Bilbo.[10]
Pensou sobre usar um filho de Bilbo, mas isto gerou algumas perguntas
difíceis, tais como local onde encontrou sua esposa e se esta deixaria
seu filho entrar em perigo. Assim procurou um personagem alterno para
carregar o anel. Nas legendas gregas, era o sobrinho do herói que
ganhava o artigo de poder, e assim que o hobbit Frodo surgiu.[10]
A escrita era lenta devido ao perfeccionismo de Tolkien e foi
interrompida freqüentemente, por suas obrigações como professor e por
outros deveres acadêmicos.[13]
Ele abandonou O Senhor dos Anéis durante a maior parte de 1943 e o reiniciou somente em abril de 1944.[10] Christopher Tolkien e C.S. Lewis
recebiam notícias sobre a história freqüentemente - Tolkien enviava
para o filho uma série de cópias dos capítulos enquanto os escrevia,
quando Christopher estava servindo na África do Sul na Força Aérea Real.

Prosseguiu outra vez em 1946, e mostrou uma cópia do manuscrito a seus editores em 1947.[10] A história foi eficazmente terminada o ano seguinte, mas Tolkien não terminou de revisar as últimas partes do trabalho até 1949.[10]
Uma disputa com seus editores Allen & Unwin fez com que Tolkien oferecesse o livro à Collins em 1950. Tolkien pretendia que o Silmarillion
(com a maior parte ainda não revisada até neste momento) fosse
publicado junto com O Senhor dos Anéis, mas a Allen & Unwin se
recusava a fazer isto, e mais: queriam que O Senhor dos Anéis fosse
dividido em três partes para baratear os custos.

Depois que seu contato
em Collins, Milton Waldman expressou a opinião de que O Senhor dos
Anéis “necessitava urgentemente de uma redução”, e exigiu finalmente
que o livro fosse publicado em 1952. Não fizeram isso, e assim Tolkien
escreveu a Allen & Unwin novamente, dizendo que “consideraria
satisfatoria a publicação de qualquer parte do material.”[10]. Desse modo, A Sociedade do Anel e As Duas Torres foram publicados em 1954 e O Retorno do Rei, depois de revisões nos apêndices, foi publicado em 1955.

Na publicação, a maior parte dos custos foi devido à falta (e preço)
do papel no pós-guerra, mas para manter o preço baixo da primeira
edição, o livro foi dividido em três volumes: A Sociedade do Anel, publicado em 1954, As Duas Torres, publicado alguns meses depois, O Retorno do Rei
e mais seis apêndices, publicado em 1955. O atraso na produção dos
apêndices, dos mapas e especialmente os índices resultou que fossem
publicados mais tarde do que esperado - em 21 de julho de 1954, em 11 de novembro de 1954 e em 20 de outubro de 1955,
respectivamente, no Reino Unido. O Retorno do Rei foi especialmente
atrasado. Tolkien inclusive não gostou muito do título de O Retorno do
Rei, acreditando que era demasiado afastado da linha da história. Tinha
sugerido originalmente o título A Guerra do Anel, que foi regeitada por
seus editores.[14]

Os livros foram publicados sob um arranjo de “partipação nos
lucros”, por meio do qual Tolkien não receberia um adiantamento ou
direitos autorais até que os livros cobrissem os gastos, depois do qual
teria uma parte grande dos lucros. Um índice para os três volumes, que
viria no fim do último, já fora prometido à época do lançamento do
primeiro volume, mas provou-se ser imprático para compilá-lo num
período razoável. Em 1966, quatro índices, não compilados por Tolkien, foram adicionados ao Retorno do Rei.

O Senhor dos Anéis sempre foi um livro bastante controverso. Sob
rótulos de “Lixo Juvenil”, mas também alumiado por elogios fervorosos,
essa obra ainda sobrevive para que possa receber as mais diversas
opiniões.
Começando pelas críticas favoráveis, destacamos algumas das mais importantes.
O jornal Sunday Telegraph se manifestou[15]à
época do lançamento do livro dizendo que ele estava “entre os maiores
trabalhos de ficção do século XX”. A conclusão parecida, conquanto mais
teatral, chegou o Sunday Times, afirmando que “o mundo do Inglês está dividido entre aqueles que leram O Senhor dos Anéis e O Hobbit, e aqueles que ainda vão ler”.
W.H.Auden escreveu ao New York Times:

“A primeira coisa que pedimos é que a aventura seja […] empolgante;
sob este aspecto a inventividade do Sr. Tolkien é incansável […e] o
leitor exige que pareça real […] O Sr. Tolkien
tem a sorte de possuir um espantoso dom de dar nomes e um olho […]
exato para descrições. […] O conto mostra no espelho a única natureza
que conhecemos: a nossa própria; também nisto o Sr. Tolkien
teve um êxito soberbo. O que ocorreu no Condado […] na Terceira Era
[…] não somente é fascinante em A.D. 1954, mas é também um alerta e
uma inspiração.”[16] Sobre a capacidade de inventar nomes, O Senhor dos Anéis conta com 301 nomes de pessoas e animais, e 433 nomes de lugares. [17]
Donald Barr falou, no New York Times
também, sobre uma coisa que Tolkien muito amava: “O Sr. Tolkien é um
afamado filólogo britânico, e a linguagem de sua narrativa nos recorda
que um filólogo é um homem que ama a língua.”[16]

E John Gardner escreve sobre o livro, falando sobre “a rica
caracterização, o brilho imagético, um senso de lugar vigorosamente
imaginado e detalhado, e [a] aventura brilhante.”
Mas nem tudo era elogios. Richard Jenkyns escreveu ao The New Republic que os personagens e o próprio trabalho de Tolkien são “anêmicos, e carentes de fibra”.
A crítica mais ácida veio talvez de Edmund Wilson, ao The Nation:
“Ficamos perplexos ao pensar por que o autor terá suposto que escrevia
para adultos. […] Exceto quando é pedante e também aborrece o leitor
adulto, há pouca coisa no Senhor dos Anéis acima da inteligência de uma
criança de sete anos. […]A prosa e o verso estão no […] nível de
amadorismo profissional. […]Os personagens falam uma língua de livro
de histórias […e] não se impõe como personalidades.

Ao final deste
[…] romance, eu ainda não tinha uma concepção do mago Gandalph [sic].
[…] Esses personagens estão envolvidos em intermináveis aventuras, a
pobreza de invenção demonstrada nas quais, é […] quase patética.
[…] Como é que esses extensos volumes de […] baboseiras provocam
tais tributos […]? A resposta […] é que certas pessoas […] têm um
apetite vitalício por lixo juvenil.”.”[16]
Ronald Kyrmse, um dos maiores especialistas brasileiros em Tolkien e autor do livro Explicando Tolkien, rebate a crítica da “língua de livro de histórias” dizendo que: “Não só Tolkien cria nomes e frases como ninguém, mas os idiomas élficos são testemunha da sua habilidade lingüistica.” e sobre a tal “pobreza de imaginação patética”, Kyrmse afirma que “Tolkien
não fez outra coisa na sua vida literária senão criar uma mitologia.
[…] O problema de Tolkien é que os críticos não têm com o que
compará-lo, pelo menos na literatura contemporânea. Isso gera uma
incompreensão que os leva a rejeitá-lo.

O Senhor dos Anéis começou como uma exploração pessoal de Tolkien de seus interesses na Filologia, religião (particularmente Igreja Católica), Contos de fadas, assim como a Mitologia nórdica, mas também foi influenciado, de forma crucial, pelos fatos que ocorreram em seu serviço militar durante a Primeira Guerra Mundial.[18] Tolkien criou um universo fictício completo e altamente detalhado (Eä),
onde O Senhor dos Anéis se passa, e muitas partes deste mundo eram,
como ele admitia livremente, influenciado por outras origens.[19]

Uma vez, Tolkien descreveu O Senhor dos Anéis ao seu amigo, o padre jesuíta Robert Murray, como “um trabalho fundamentalmente religioso e Católico, incoscientemente no início, mas ciente disso na revisão [do livro].” [3]
Há muitos temas teológicos subjacentes na narrativa, incluindo a luta
de bem contra o mal, o triunfo do excesso vaidade na humanidade e a
atividade da Graça Divina. Além disso o trecho do Pai Nosso
“e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal” esteva
sempre presente na mente de Tolkien quando descreveu luta de Frodo de
contra o poder do Um Anel.[3]

Os motivos religiosos não-cristãos também tiveram fortes influências na Terra-média de Tolkien. Os Ainur, uma raça de seres angelicais que foram responsáveis pela concepção do mundo, incluíam os Valar,
que formam um panteão de “deuses” quem são responsáveis por toda a
manutenção do Mundo em seus aspectos materiais e abstratos. O conceito
dos Valar ecoa na mitologia grega e nórdica, embora os próprios Ainur e o mundo sejam criações de uma divindade sozinha - Ilúvatar ou Eru, “O Único”.
As mitologias do norte europeu são talvez as mais bem conhecidas
influências não-Cristãs em Tolkien. Seus elfos e anões são parecidos e
muito baseados na mitologia nórdica e relacionados à mitologia germânica.[20]
Os nomes tais como “Gandalf”, “Gimli” e “Terra-média” são derivados
diretamente do mitologia nórdica.

A figura de Gandalf é particularmente
influenciada pela divindade germânica Odin
em sua encarnação como “O Viajante”, um homem velho com uma longa barba
branca, um chapéu de bordas largas e uma cajado; Tolkien declarou que
pensava em Gandalf como um “Odin errante” em uma carta de 1946.[3] As influências específicas incluem o poema Anglo-Saxon Beowulf.[21]
O Senhor dos Anéis foi fortemente influenciado pelas experiências de Tolkien durante a Primeira guerra mundial, onde lutou, e pela partida de seu filho para lutar Segunda guerra mundial.
Depois da publicação de O Senhor dos Anéis, devido à sua influencia ocorreu a especulação que o Um Anel fosse um metáfora da bomba nuclear.[22]

Tolkien, entretanto, insistiu repetidas vezes que seus trabalhos não apresentavam aquele tipo de alegoria,[23]
indicando no prefácio de O Senhor dos Anéis que não havia gostado desta
especulação e que a história não era alegórica. Tolkien já tinha
terminado grande parte do livro, incluindo o final, antes que as
primeiras bombas nucleares tivessem sido conhecidas pelo mundo, com sua
explosão em Hiroshima e em Nagasaki em agosto de1945.
Alguns locais e suas características foram inspiradas em locais da infância de Tolkien como Sarehole (então uma vila de Worcestershire, agora parte de Birmingham) e Birmingham.[24] Tolkien sugeriu que o Condado e suas redondezas eram baseados nos campos em torno da faculdade de Stonyhurst em Lancashire, que Tolkien freqüentou durante a década de 40.[25]

O Senhor dos Anéis promoveu uma grande mudança na cultura popular,
desde os anos 50, quando foi publicado, mas principalmente nos anos 60
e 70. Pode-se encontrar tal influência em exemplos como jogos de
tabuleiro baseados no livro e em paródias como Bored of the Rings (no Brasil, O Fedor dos Anéis), o episódio de South Park, O Retorno do Senhor dos Anéis às Duas Torres, e o musical da Revista Mad nomeado O Anel e Eu. Graças ao trabalho de Peter Jackson, muita dessa influência voltou a ser sentida hoje.

Muitos músicos e bandas também inspiraram-se não só no Senhor dos Anéis como em outras obras de Tolkien. As letras de músicas de algumas bandas dos anos 70 é recheada de referências à obra do autor. Led Zeppelin é provavelmente o mais famoso grupo diretamente inspirado em Tolkien, e possui quatro músicas com referências explícitas, como Ramble On e The Battle of Evermore. Outras bandas dos anos 70 inspiradas no autor são Camel, Rush e Styx. The Beatles
pode até não ter sido musicalmente influenciados, mas eles tinham a
intenção de fazer um filme baseado em O Senhor dos Anéis. A idéia não
saiu do papel, se é que chegou a ele.
Mais tarde, nos anos 80 e 90, bandas de metal encontraram lugar para
Tolkien em suas músicas, muitas vezes usando facando a parte má da obra
dele, os personagens e hostes ruins.

A banda alemã Blind Guardian possui, entre outras referencias a Tolkien, o álbum Nightfall in Middle-Earth, que conta a história das Silmarils e a finlandesa Nightwish (que possui a música Elvenpath, que faz alusão a Elbereth e a Lórien) são duas famosas bandas de metal.
Fora do rock, muitos artistas New Age foram influenciados pelo trabalho Tolkieniano. Enya escreveu uma música chamada Lothlórien, e compôs duas músicas para o filme A Sociedade do Anel: May It Be, cantada em Inglês e em Alto-élfico e Aníron, cantada em Élfico-cinzento. Além dela outros muitos artistas encontraram na obra de Tolkien a inspiração para sua música.

Os primeiros jogos de interpretação de personagens (RPG) surgidos entre as décadas de 70 e 80 tiveram grande inspiração no ambiente medieval-fantástico de O Senhor dos Anéis,
incorporando os elementos geográficos como suas montanhas fabulosas,
florestas densas, grandes fortalezas e redes de túneis sobre a terra e
também elementos étnicos, como as diferentes raças civilizadas que
ambientam toda a obra, como os Elfos, Hobbits e Anões.
Esses primeiros jogos inspiraram outros mais modernos e foi longo o
tempo em que RPG ficou diretamente ligado a um cenário de
fantasia-medieval. Pode-se perceber no D&D, um dos mais famosos sistemas de RPG,
uma clara semelhança com O Senhor dos Anéis, embora adaptada à própria
realidade do jogo. Apesar de toda a difusão do RPG e da variada gama de
assuntos abordados por seus jogos ainda hoje um dos mais populares
jogos de RPG do mundo é primáriamente ambientado em um cenário que em
muitos aspectos lembra a terra criada por Tolkien.

O livro já foi adaptado para o rádio, o cinema e televisão e os palcos.

O Livro foi adaptado para o rádio três vezes. Em 1955 e em 1956, a BBC passou O Senhor dos Anéis, uma adaptação em doze partes da história para o rádio, da qual nenhuma gravação sobrou. Em 1979, uma dramatização da história foi transmitida nos Estados Unidos e depois colocadas em fita e CD. Em 1981, a BBC transmitiu uma nova dramatização em 26 partes de meia hora.

As adaptações para a tela incluem uma animação em 1978, quando Ralph Bakshi
produziu a primeira versão em desenho animado sobre o Senhor dos Anéis.
A produção não foi um sucesso. Seguindo o enredo de A Sociedade do Anel
e de As Duas Torres, devia ser dividido em duas partes. O desenho tinha
muitos cortes e a qualidade da animação não era muito boa, mas serviu
como uma alavanca para uma maior abrangência dos livros. Porém, mesmo e
principalmente entre os fãs, nunca houve grande aceitação sobre essa
animação. A outra parte, O Retorno do Rei, em 1980, foi um especial animado para a TV por Rankin-Bass, que tinha produzido uma versão similar a O Hobbit em 1977.

Fonte: Wikipedia

(Em breve serão adicionadas fotos dos filmes)

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