FB 04: Penso, logo não te amo

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Sempre gostei de tentar entender as religiões e a as pessoas que fazem parte de uma comunidade religiosa. Uma vez fiz uma pergunta sincera a alguém que ia a igreja, era mais ou menos assim:

- Se tudo que Jesus diz é “Ame o próximo como a si mesmo, e a Deus acima de todas as coisas”, porque as pessoas se apegam a outros detalhes que são apenas partes soltas desse princípio, ou que não tem nada a ver as vezes?

Eu achava na época que esse era um princípio, um fenômeno da religião, mas na verdade é algo humano e pessoal. As pessoas entendem suas limitações, sabem que não vão conseguir seguir o princípio básico totalmente e então dão importância a outros detalhes não tão completos ou que as vezes sequer estão relacionados ao fato principal, mas são bem mais plausíveis de conviver, mascaram para si mesmas (e acreditam nisso) como uma forma de assim dar seguimento a suas vidas tranqüilamente.

Aqui se incluí a incrível capacidade das pessoas mesmo erradas acharem que estão certas, parece muitas vezes um crime estar errado e se alguém lhe aponta um erro, piorou. Vários conflitos do nosso dia a dia são baseados nessa incrível programação cabeça dura que temos, e as vezes alguns até acabam de forma trágica.

Mas talvez nenhum dos casos acima seja uma maior prova do que quero dizer do que receber um “não” de quem se ama. A primeira coisa que vem na cabeça de quando um relacionamento acaba é “por que?”, e isso quase sempre traz as respostas mais falsamente “amaciadas” possíveis (isso claro, se a pessoa em questão ainda possui um pingo de sensibilidade para com outro ser humano). Alguém poderia até justificar que é importante saber para poder melhorar, ou para quem sabe conseguir mais uma chance… mas sendo sincero, nunca vi ninguém que melhorou por uma explicação de fim de relacionamento. Se a pessoa quer descobrir se tem algum problema que faz os relacionamentos darem errado é muito melhor perguntar ao amigos, familiares, ou terapeutas do que ao seu ex-parceiro(a)… na verdade este deveria ser a última pessoa a ser indagada já que o problema pode ser ele(a) e não você.

Mas o motivo, a razão, tão buscada, tende por virar uma muleta, uma fuga da realidade. Entra na questão do factóide ser maior que o fato em si, e o fato é que não dá mais! Não existe uma cláusula contratual que estipule que tudo tem que ter um motivo ou que todos sejam obrigados pela lei do comcubinato a explicar, em forma de relatório de no mínimo 30 páginas com espaçamentos das normas técnicas da ABNT, o porquê da relação não dar mais certo. A verdade é que apenas um “não” deveria bastar, isso é que é significativo para que uma pessoa siga em frente sem olhar para trás e dê seguimento a sua vida.

O divisor de águas para mim nesse aspecto foi quando assisti o filme Closer, principalmente por uma frase dita por uma das personagens já no final do filme: “Descobri que não te amo mais”. A naturalidade, o contexto, a forma como ela falou, como se estivesse se libertando, como se fosse simples, um “te amava a 5 minutos antes, agora perdeu playboy!”. Tudo aquilo me deixou estático, porque naquele momento que vi o filme no cinema, eu estava na fase mais dor-de-cotovelo que já tive em toda a minha vida. Então muito do que eu falo aqui, não falo da boca para fora, mas eu vivi.

A verdade é que se a gente se preocupasse mais com os fatos, com o que realmente importa, e não tentasse arrumar desculpas ou motivos paras as coisas serem mais fáceis ou para não ter que encarar a realidade, seríamos muito mais objetivos e estaríamos no caminho de ter a vida mais no nosso controle. Só não garanto que a vida iria ser mais fácil assim.

Alessandro é nerd, bacharel em ciência da computação, estudioso de ciência da religião, filósofo de boteco nas horas vagas e já sofreu por amor.




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