Primeira Página Nos Jornais: Tragedia no Mianmar, 22 mil mortos

4,920

Novamente as notícias da primeira página dos jornais de hoje trazem mais detalhes sobre a tragédia no Mianmar:

Mianmar no mapa

A Junta Militar de Mianmar aumentou para 22,5 mil os mortos na passagem do ciclone Nargis pelo país do sudeste asiático no último sábado (3), informou hoje a rede de TV CNN e a imprensa local.




Segundo a CNN, ao menos outras 41 mil pessoas estão desaparecidas em decorrência da passagem do ciclone, que atingiu Yangun –cidade de cerca de 5 milhões de habitantes e a maior de Mianmar– e a região do delta de Irrawaddy, no litoral do país.

De acordo com estimativas da ONU, mais de 1 milhão de pessoas estão desabrigadas.

A agência de notícias Xinhua, que cita autoridades locais, informou que cerca de 10 mil pessoas morreram somente na cidade de Bogalay.

Nyein Chan Naing/Efe
Moradores de Yangun após passagem do ciclone; ONU culpa falta de alerta por tragédia
Moradores de Yangun após passagem do ciclone; ONU culpa falta de alerta por tragédia

O ministro da Proteção Social, Maung Maung Swe, disse nesta terça-feira que 95% das casas de Bogalay — que tem cerca de 190 mil habitantes — foram destruídas pelo ciclone.

O Programa Mundial de Alimentação da ONU (WFP, na sigla em inglês), que prepara o envio de alimentos, disse ter dificuldades para fazer com que os mantimentos cheguem às vítimas.

“Esperamos conseguir enviar mais ajuda nas próximas 48 horas”, disse Paul Risley, porta-voz do WFP em Bancoc. “O desafio é chegar até as áreas atingidas, com estradas bloqueadas”.

Kyi Minn, do grupo de ajuda humanitária World Vision, disse à CNN que a situação é “caótica”.

“Pode ter sido pior que o tsunami”, disse Minn, comparando o ciclone aos estragos causados pelo tsunami [onda gigante] que atingiu a região em 2004, matando mais de 150 mil.

Segundo ela, há escassez de água potável, alimentos, remédios e abrigos.

Grande parte das linhas telefônicas foram cortadas em Yangun. Em alguns locais, um galão de gasolina teve seu preço quadriplicado. O preço de vários alimentos também dobrou.

Falta de alerta

Para a ONU (Organização das Nações Unidas), o alto número de mortos foi causado pela falta de um sistema de alarme para retirar a população em caso de emergência.

AP
Garota mianmarense passa por ponto de ônibus atingido por árvore após passagem de ciclone
Garota passa por ponto de ônibus que foi atingido por árvore após passagem de ciclone

“Um sistema de alarme antecipado é muito importante, pois um ciclone pode ser previsto com 48 horas de antecedência. Em Mianmar, as autoridades não tinham estabelecido um sistema deste tipo, que salvaria milhares de vidas”, disse hoje Brigitte Leoni, porta-voz do escritório das Nações Unidas para a Estratégia Internacional de Redução de Desastres (ISDR).

A porta-voz disse ainda que as autoridades birmanesas tinham em seu poder as informações oferecidas pelos satélites meteorológicos que advertiam sobre a chegada do tufão.

“Isso significa que, por não ter um sistema de comunicação e de alerta rápido, a população não foi avisada do que ocorreria e, por isso, não deixou a região”, disse ela.

Laura Bush

Ontem, a primeira-dama americana, Laura Bush, havia prometido aumentar a ajuda humanitária para Mianmar e criticado a Junta Militar do país por não ter alertado a população com antecedência sobre a chegada do ciclone. “O governo de Mianmar deve aceitar esta equipe rapidamente, assim como outras ofertas de ajuda internacional”, disse.

“É lamentável que muitos birmaneses tenham sabido do desastre iminente só quando a mídia estrangeira, como a Rádio Ásia Livre e a Voz da América, emitiram um alerta”.

“Os Estados Unidos se preparam para enviar uma equipe de assistência e mantimentos de primeira necessidade a Mianmar, assim que o governo birmanês aceitar nossa oferta”, afirmou a primeira-dama.

Plebiscito

Também nesta terça-feira, a Junta Militar de Mianmar anunciou que adiará a realização do plebiscito constitucional do próximo sábado (10) nas áreas castigadas pelo ciclone tropical.

AP
Moradores passam por árvore derrubada durante passagem de ciclone em Yangun
Moradores passam por árvore derrubada durante passagem de ciclone em Yangun

Um anúncio da TV estatal informou que a consulta popular ocorrerá em 24 de maio em cerca de 50 divisões das regiões de Irrawaddy, Pegu, Yangun e nos Estados de Karen e Mon, onde se mantém o estado de emergência declarado no sábado, após a passagem do ciclone.

Tais regiões abrigam cerca da metade dos 53 milhões de birmaneses. Segundo as autoridades locais, o plebiscito ocorrerá na data prevista no restante do país.

O plebiscito é o primeiro passo do chamado Mapa de Caminho em direção à democracia do país, que será concluído, segundo afirma o regime, com eleições livres em 2010.

Mianmar é governada por militares desde 1962, e não realiza eleições democráticas desde 1990, quando o partido oficial foi esmagado pela coalizão opositora da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, um pleito que não teve seu resultado reconhecido pela Junta Militar.

com Associated Press, Efe e Reuters

Se tiver dúvidas deixe um comentário! Veja Também...

Poste um comentario