Mortos na China passam de 34 mil; governo apura danos em escolas

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As vítimas do terremoto de 7,9 graus na escala Richter que atingiu a China semana passada já ultrapassam os 34 mil, informou nesta sexta-feira a agência de notícias estatal Xinhua. Ontem (15), o governo estimou que o número de mortos vítimas do terremoto pode superar 50 mil.

Segundo a Xinhua, que cita o escritório responsável pelos trabalhos de emergência do Conselho de Estado, um total de 22.069 pessoas morreram em todo o país e outras 168.669 ficaram feridas por causa do terremoto que atingiu o sudoeste da China no início desta semana.

Pouco antes, o governo da Província de Sichuan –o epicentro do terremoto– havia informado que, só na região, 21.577 pessoas morreram e 159 mil ficaram feridas. Ainda segundo o vice-governador, 4,8 milhões de pessoas foram realocadas.




Nas regiões vizinhas, segundo a Xinhua, 364 pessoas morreram em Gansu, 109 em Shaanxi, 15 em Chongqing, duas em Henan, uma em Yunnan e outra em Hubei.

Milhares de moradores de Beichuan, uma das áreas mais atingidas, foram vistos nos últimos dias deixando a região carregando crianças de colo, sacolas e malas, em busca de abrigo.

Réplicas

Além do número de mortos continuar aumentando, as réplicas do terremoto desta semana também atingem a região no sudoeste da China. Nesta sexta-feira, vários veículos ficaram soterrados após os deslizamentos de terra causados por uma réplica que atingiu a zona do epicentro do terremoto da segunda-feira passada na província de Sichuan (sudoeste).

Ng Han Guan/AP

Equipes de resgate utilizam cães farejadores em Yingxiu, na Província de Sichuan, o epicentro do terremoto que atingiu a China
A réplica ocorreu no distrito de Lixian, cerca de 50 quilômetros a oeste do local onde foi localizado o epicentro do tremor da segunda-feira, no distrito de Weichuan, e por enquanto não foram reportadas vítimas, informou a Xinhua.

O canal de televisão CFTV acrescentou que esta réplica, que foi registrada às 13h25 (2h25 em Brasília), ocasionou um novo corte nas comunicações da zona afetada, que tinham sido restabelecidas poucas horas antes.

Logo após o novo tremor, que durou aproximadamente dez segundos, os trabalhos de resgate foram retomados. Segundo medições feitas pelos Estados Unidos, o tremor desta sexta-feira atingiu 5,5 graus na escala Richter. Já a Xinhua informa que a intensidade foi de 5,9 graus.

Escolas

Nesta sexta-feira, a China anunciou o início de uma investigação a respeito do grande número de escolas que desabaram após o tremor, enquanto outros edifícios permaneceram intactos.

Vincent Yu/AP

Parentes de vítimas do terremoto choram em frente a corpo de um familiar em Dujiangyan
O terremoto atingiu a Província de Sichuan durante a tarde, horário em que a maior parte dos estudantes está em aula. Centenas de crianças e adolescentes morreram, e muitos pais acusam agora as autoridades de falta de segurança nas construções para cortar custos.

“Estou muito triste com as mortes de estudantes. Se as investigações apontarem irregularidades, elas serão investigadas com muitas seriedade”, disse Jiang Weixin, Ministro da Construção da China, à imprensa local durante coletiva exibida por uma estação de TV.

A imprensa local também especula sobre os danos em prédios escolares, depois da publicação de fotos nos quais aparecem destruídos, cercados de prédios em melhor estado.

Esforços

O presidente chinês, Hu Jintao, pediu nesta sexta-feira às equipes de resgate que “redobrem os esforços” para resgatar as vítimas do terremoto que sacudiu o sudoeste da China, afirmando que chegou a “fase mais crucial”, quatro dias após tremor.

“As operações de socorro entraram na fase mais crucial”, disse o chefe de Estado ao chegar na manhã desta sexta a Mianyang, uma das cidades mais atingidas pelo terremoto.

“Devemos fazer todos os esforços, lutar contra o relógio e superar todas as dificuldades para garantir a vitória final das operações de socorro”, afirmou Hu Jintao.

Vidas

Horas antes, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse que “salvar vidas é a prioridade absoluta”, ao incentivar o trabalho dos socorristas.

Ju Peng/AP

Presidente chinês, Hu Jintao, visita locais atingidos pelo terremoto; ele pediu que as equipes dobrem os esforços para salvar vidas
Wen Jiabao prometeu que todos vão trabalhar “enquanto houver esperança de sobrevivência”. “Vamos empregar todas as nossas forças para salvar vidas, custe o que custar. A vida é o bem mais precioso”.

Segundo agências de notícias locais, Wen determinou às autoridades que dêem atenção especial à prevenção de epidemias e à entrega de alimentos e gêneros de primeira necessidade.

O governo ordenou nesta sexta uma investigação sobre as razões dos muitos desabamentos em escolas durante o terremoto, e ameaçou punir eventuais responsáveis.

“Se forem apurados problemas ligados à construção de prédios escolares, trataremos os responsáveis sem qualquer tolerância”, disse um responsável do ministério da Educação, Han Jin.

Ajuda externa

A China mobilizou 130 mil soldados às áreas devastadas, mas as equipes enfrentam dificuldades em atender às vítimas e em enviar mantimentos nas estradas bloqueadas.

Ofertas de ajuda estão sendo enviadas de toda a China, e um primeiro time de resgate estrangeiro, com cerca de 60 pessoas vindas do Japão, chegou a Sichuan nesta sexta-feira.

O governo chinês aceitou equipes vindas da Rússia, de Taiwan, da Coréia do Sul e de Cingapura, segundo o Ministério de Relações Exteriores.

De acordo com o escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU em Genebra, a maior necessidade é o envio de tendas e sacos plásticos para os corpos das vítimas.

O Programa Mundial de Alimentação da ONU (WFP, na sigla em inglês) enviou, a pedido da China, alimentos suficientes para 118 mil pessoas.

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